[ Segunda-feira, Junho 28, 2004 ]

Don´t take it personal
I wanna take some time out to think things through
I know it always feels like I'm doing you wrong
but I'm so in love with you
So understand that I'm only in love your the only one I need
So have no thought that I want to leave and baby trust me please
Just one of them days
That a girl goes through
When I'm angry inside
Don't want to take it out on you
Just one of them days
Don't take it personal
I just wanna be all alone
And you think I treat you wrong
I see and I think about every thing we do
And I find myself in mysery and that ain't cool
Hey now, I realy want to be with you the whole way through
But the way you make me feel inside keeps me confused
As I swing back from mood to mood it's not because of you
I never want you to be insecure,
so won't you understand that I'm only in love, your the only one I need
I'll be there for you when you need me boy, so baby don't you leave
Tenho a ligeira sensação de que já postei essa música. De qualquer forma hoje está sendo um daqueles dias com picos de humor absurdos, onde qualquer brincadeirinha pode se tornar o fim do mundo, e eu não estou com paciência para nada, nem para ninguém.
E que venha a terça-feira...LOGO!
[ Segunda-feira, Junho 21, 2004 ]
Hoje foi o dia de fazer uma decupagem descritiva e significativa da minha vida. Foram pegos todos os filmes rodados, assistidos, classificados, e entre os que prestam e os que foram queimados, restou apenas uma história ainda - repetindo: ainda! - sem pé nem cabeça, ou em TILT - literalmente de cabeça para baixo.
Com a câmera uma vez parada, pude dar um "zoom out" e abrir meu campo de visão. Há tanta coisa que não damos valor lá fora, não?
Já é hora de sair daquele primeiro plano claustrofóbico, mudo e em preto e branco de Joana D´arc em 1928. Os tempos passaram e hoje o que não falta são recursos para tornar sua história cada vez mais interessante. Atenção aos detalhes, pegar cada coisinha, cada pessoinha, seja ela personagem principal ou mero coadjuvante e, usando a regra dos terços, achar o devido lugar onde cada coisa se enquadre na sua composição.
No olhar do menino de Paris Texas (Win Wenders, 1984) , em câmera subjetiva, a cabeça do pai ao meio, mas o que eu hoje menos quero é alguém que eu não veja por inteiro.
Ainda há muito o que ser mudado, reformulado ou repensado nesse filme como o ponto de vista, EQUILÍBRIO, tonalidade, cor, SATURAÇÃO, a perspectiva, as linhas de direção, o 2o.PLANO e a moldura.
Na edição de áudio: supressão do som, Leit Motiv de Psicose ou Tubarão, utilização de música suave para reforçar a ação, ruído para justificação de corte ou para causar sensação, substituição de som real por não real para causar impressão.
Quem dera ter eu vivido, ou poder fazer meu filme, com a mesma simplicidade e inocência que Chaplin, com seus cortes clássicos, mesclando o primeiro plano e o plano geral, simplicidade essa que não tira a doçura do olhar do menino, nem a mensagem complexa do discurso do Grande Ditador.
Tudo hoje também se perdeu entre cenários forçados, nuvens de fumaça, holofotes, "fade in"s e "fade out"s, efeitos especiais criados por uma pessoa solitária atrás de uma tela de computador.
DICAS PARA GRAVAR UMA SEQUÊNCIA BÁSICA
2 - Compor com elementos que estabeleçam relações de tamanho
3 - Investir na diversidade de planos
4 - Ação interna (evitar movimentar a câmera - utilizar cortes na ação)
5 - Evitar gravar planos muito semelhantes em termos de conteúdo
6 - Se você desconfia que duas cenas não vão colar, grave uma terceira
7 - Entrada Limpa, saída limpa!
[ Domingo, Junho 13, 2004 ]
É tempo de parar de buscar fora o que ainda é preciso encontrar dentro de si
Conta a Lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Eros e Psique - Fernando Pessoa
Conta a Lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Eros e Psique - Fernando Pessoa
[ Terça-feira, Junho 08, 2004 ]

Borderline
Na falta de algo novo para se ler, nada melhor do que retomar antigas leituras e tentar, mais uma vez, entender esse bicho estranho que é o ser humano.Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline fazem esforços frenéticos para evitarem um abandono real ou imaginado. A percepção da separação ou rejeição iminente ou a perda da estrutura externa podem ocasionar profundas alterações na auto-imagem, afeto, cognição e comportamento. Esses indivíduos são muito sensíveis às circunstâncias ambientais. Eles experimentam intensos temores de abandono e raiva inadequada, mesmo diante de uma separação real de tempo limitado ou quando existem mudanças inevitáveis em seus planos. Esse medo do abandono está relacionado a uma intolerância à solidão e a uma necessidade de ter outras pessoas consigo.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline têm um padrão de relacionamentos instáveis e intensos. Eles podem idealizar potenciais cuidadores ou amantes já no primeiro ou no segundo encontro, exigir que passem muito tempo juntos e compartilhar detalhes extremamente íntimos na fase inicial de um relacionamento. Pode haver, entretanto, uma rápida passagem da idealização para a desvalorização, por achar que a outra pessoa não se importa o suficiente, não dá o bastante, não está "ali" o suficiente. Esses indivíduos podem sentir empatia e carinho por outras pessoas, mas apenas com a expectativa de que a outra pessoa "estará lá" para também atender às suas próprias necessidades, quando exigido.
Estes indivíduos estão inclinados a mudanças súbitas e dramáticas em suas opiniões sobre os outros, que podem ser vistos alternadamente como suportes benévolos ou como cruelmente punitivos. Tais mudanças freqüentemente refletem a desilusão com uma pessoa cujas qualidades de devotamento foram idealizadas ou cuja rejeição ou abandono são esperados.
Esses indivíduos podem mudar subitamente do papel de uma pessoa suplicante e carente de auxílio para um vingador implacável de maus tratos passados. Embora geralmente possuam uma auto-imagem de malvados, os indivíduos com este transtorno podem, por vezes, ter o sentimento de não existirem em absoluto. Tais experiências habitualmente ocorrem em situações nas quais o indivíduo sente a falta de um relacionamento significativo, carinho e apoio.). Eles podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou explosões verbais.
A raiva freqüentemente vem à tona quando um cuidador ou amante é visto como negligente, omisso, indiferente ou prestes a abandoná-lo. Tais expressões de raiva freqüentemente são seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de ser mau. Estes episódios ocorrem mais comumente em resposta a um abandono real ou imaginado. Os sintomas tendem a ser transitórios, durando minutos ou horas. O retorno real ou percebido do carinho da pessoa cuidadora pode ocasionar uma remissão dos sintomas.
Em resumo: eu tenho medo.
E quem quiser saber mais sobre transtornos de personalidade passe aqui.
[ Sábado, Junho 05, 2004 ]
PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO?
Drauzio VarelaAlgumas pessoas mantêm relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.
Uma relação tem que servir para você se sentir à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois .
O sócio do Datcho me deu esse texto ontem para ler e nada me pareceu mais conveniente...

