[ Domingo, Julho 18, 2004 ]
DESPEDIDA
Cerca de três horas depois restava apenas um montículo de parafina que se amontoava desordenadamente ao pé da cama. O suspiro final de uma pequena chama que ainda teimava existir finalmente permite ao luar que se torne mais presente, e este tinge de prata boa parte do corpo de seu amado.
Depois de meia-dúzia de juras de amor veladas, o palpitar de seu próprio coração era tudo que parecia pulsante, pungente, verdadeiro. Triste não estava. Radiante tampouco. Satisfeita talvez, e um pouco cansada. O véu da noite havia lhe presenteado com o mais aguardado dos sonhos, ainda que não estivesse certa do que fazer com ele, ou onde guardá-lo.
O álcool que ainda corria confundia seus pensamentos de modo que passado e presente se mesclavam, a ponto de escurecer e até enrubrecer o futuro. Pousando seus olhos sobre um cinzeiro de mármore que jazia a alguns centímetros, deu conta de quanto ainda o amava. Por ele travara batalhas terríveis consigo mesma, entregando toda sua racionalidade nas mãos de uma paixão unilateral em intensidade. Amava seu cheiro, seus cabelos, sua voz, seus olhos, seu silêncio e sua dor. Amava-o sozinha por noites e dias, por meses e estações. Amava-o sem rancor. Sem querer.
Tudo acontecera assim, no impulso, sem avisar, no desenrolar altivo que conduziu embriaguez e desejo ao sexo e seu fim. Um ínicio, prenúncio, que tinha em morto, silenciado, a única chance de continuar existindo.
Talvez teria sido melhor se nada daquilo tivesse acontecido. Assim estaria livre do peso de, uma vez lúcida ter de confrontar o antes e o depois. De refletir.
Consciente de que aquele beijo seria o derradeiro, observou seu corpo nu com saudade e, chorando baixinho, partiu rumo a um novo começo.
Chovia muito.
Texto do meu querido amigo Leco.
Ahh, aproveitando: a vida vai bem, obrigada!
Cerca de três horas depois restava apenas um montículo de parafina que se amontoava desordenadamente ao pé da cama. O suspiro final de uma pequena chama que ainda teimava existir finalmente permite ao luar que se torne mais presente, e este tinge de prata boa parte do corpo de seu amado.
Depois de meia-dúzia de juras de amor veladas, o palpitar de seu próprio coração era tudo que parecia pulsante, pungente, verdadeiro. Triste não estava. Radiante tampouco. Satisfeita talvez, e um pouco cansada. O véu da noite havia lhe presenteado com o mais aguardado dos sonhos, ainda que não estivesse certa do que fazer com ele, ou onde guardá-lo.
O álcool que ainda corria confundia seus pensamentos de modo que passado e presente se mesclavam, a ponto de escurecer e até enrubrecer o futuro. Pousando seus olhos sobre um cinzeiro de mármore que jazia a alguns centímetros, deu conta de quanto ainda o amava. Por ele travara batalhas terríveis consigo mesma, entregando toda sua racionalidade nas mãos de uma paixão unilateral em intensidade. Amava seu cheiro, seus cabelos, sua voz, seus olhos, seu silêncio e sua dor. Amava-o sozinha por noites e dias, por meses e estações. Amava-o sem rancor. Sem querer.
Tudo acontecera assim, no impulso, sem avisar, no desenrolar altivo que conduziu embriaguez e desejo ao sexo e seu fim. Um ínicio, prenúncio, que tinha em morto, silenciado, a única chance de continuar existindo.
Talvez teria sido melhor se nada daquilo tivesse acontecido. Assim estaria livre do peso de, uma vez lúcida ter de confrontar o antes e o depois. De refletir.
Consciente de que aquele beijo seria o derradeiro, observou seu corpo nu com saudade e, chorando baixinho, partiu rumo a um novo começo.
Chovia muito.
Texto do meu querido amigo Leco.
Ahh, aproveitando: a vida vai bem, obrigada!

